Eu olho para trás e num minuto recordo momentos que levei anos a esquecer , recordo-me das vezes que no escuro da noite caminhava lado a lado contigo pelas ruas vazias da nossa cidade. Recordo-me das vazes em que me abraçavas e bem baixinho dizias-me que sou tua. Ainda não me esqueci das vezes em que ponhas as mãos na minha cintura, olhavas-me nos olhos e eu lia nos teus lábios ’Amo-te’. Eu já não choro na tua ausência, já aprendi a sorrir novamente. Eu já desisti de tudo o que formava o ‘nós’ , e não , eu não desisti por ser fraca, eu desisti porque estava cansada de lutar sozinha. Só queria que me desses a mão , que caminhasses comigo pelo caminho da vida, que me ajudasses tal como sempre te ajudei. Desde que partiste, vezes sem conta que me sento naquele canto do jardim onde antes sentava-me no teu colo, e sozinha penso e repenso onde falhei. Chego a conclusão de que fiz tudo certo, e que tu partiste talvez porque nunca sentiste amor, talvez porque nunca me amaste assim como eu te amei e continuo a amar. Eu não sei se era medo da solidão , do escuro ou talvez medo de te perder. Também não percebo, mas talvez fossem saudades, não de ti, mas sim de nos e daquilo que em conjunto passamos, que nos meus olhos era perfeito, e continuou a se-lo mesmo quando foste embora e tudo caiu sobre mim. Fiquei sobrecarregada com esta saudade , e o sofrimento de saber que agora estas feliz e eu continuo a caminhar pelos restos da nossa relação acabada, destrói-me por completo, devora tudo o que há de melhor me mim, e deixa-me a sufocar de dor. Nunca iras saber como estou, e eu continuarei a sofrer sozinha, baixinho, naquele canto do jardim, por um período de tempo indeterminado, mas continuarei a amar-te , ate no desconhecimento !
Muitas vezes tive esperança que ao olharem-me nos olhos , soubessem o que realmente sinto, mas isso nunca aconteceu , ate aqueles que muitas vezes limpavam as minhas lágrimas não o conseguiram fazer.
Os dias passam e eu continuo aqui agarrada a cada sorriso teu que deixaste, a cada abraço, cada palavra, cada gesto de carinho; pena que sejam meras lembranças. Até que ponto eu irei aguentar tudo isto? Até quando terei que sorrir e fingir que estou bem? As minhas lágrimas revoltam-se; querem libertar-se e eu continua aguentando-as, fazendo-me de forte. Tu sabes que eu sinto a tua falta! Eu não consigo entender como conseguiste acabar com tudo sem pensar em nós, eu não entendo como foste capaz de ir embora sem me dar um abraço. Eu queria que o nosso amor fosse como os demais. Queria te ter por meros instantes e mostrar-te tudo aquilo que tenho para te dar, mostrar-te o verdadeiro sentimento que nutro por ti e dizer-te aquilo que tenho para dizer olhando-te nos olhos. Se eu não digo que te amo não é porque não o sinto, mas sim porque há um medo que separa as minhas palavras das tuas respostas. Olha para mim. Olha para o meu sorriso tão sincero e para o perfeito brilho nos meus olhos a cada vez que os meus olhos se cruzam com os teus. Não é bonito ? Deixa que as minhas lágrimas falem por si sem que eu tenha que te explicar o quão preciso de ti, mesmo que tenha passado tão pouco tempo desde que te encontrei. É uma força sobrenatural que me leva a pensar em ti a cada mínimo instante dos meus dias. Só me resta é ficar aqui a escrever, digitando palavras estranhas enquanto as lágrimas me escorrem pelo rosto. Eu vou aguentar com isto, haja o que houver, eu aguento. Repito isto todos os dias, a toda a hora, a cada minuto, de segundo a segundo. Repito para conter as lágrimas, mesmo que elas sejam mais fortes que eu. E eu sorriu, eu finjo estar bem, enquanto vivo suportando esta dor em frente a qualquer pessoa. Solto os cabelos, visto o meu vestido mais lindo e saiu por aí a passear, distribuindo sorrisos e iludindo o mundo de que estou feliz. Enfim, eu só espero é que sejas feliz.
Eu lembro-me. A saudade a queimar o meu peito, correndo-me por completo, tirando-me a vontade de viver. Tornaste-te apenas uma lembrança e banalizei-te de tal maneira que quase me esqueci de pensar em ti na noite passada. Estava deitada a pensar na vida e decidi trai-me comigo mesma. Decidi deixar-te de lado e fazer de mim alguém melhor. É na verdade eu ja nem sei se eu sou tu ou se és tu que és eu. Tentei fugir. Tentei esconder-me. Sinceramente, não vi razão naquilo que fiz. Que amor tão estúpido, juntamente com todas estas lembranças que só viram o meu mundo do avesso e baralham o que já está baralhado. Que amor estúpido. Que sentimento tão inútil. Depois brindo à saudade. Se nós estivéssemos juntos o nosso mundo seria um mundo melhor. Se nós estivéssemos juntos. Se estivéssemos.
Sim, são. Aqueles que não são estão entre aspas e com o autor identificado.
Eu sei que nada entre nós irá dar certo, mas mesmo assim eu quero tentar. Quero insistir e persistir neste erro. Este meu pequeno mundo ficou mais colorido quando te conheci, com certeza que ficou. Contigo quero me perder, mesmo sabendo que acabarei perdida sozinha. Eu odeio-te. Eu odeio tudo o que me liga a ti. Odeio ser tão entregue a ti. Odeio quando não consigo resistir às tuas palavras doces. Odeio estar literalmente dependente de ti. Odeio! Simplesmente odeio-te, pois sei que me mandas mensagem a dizer que me amas, mas é noutra que pensas antes de dormir. Sei que me chamas de princesa, mas existe outra, quem tratas por rainha. Odeio-te, odeio mesmo. Sinto tanto ódio que quase apetece-me matar-te, mas depois olhos para ti e todo este ódio, rapidamente, se transforma em amor tão puro e lindo. Isto dá-me vontade de te odiar ainda mais e tudo o que posso fazer é matar-te, mas fazê-lo com beijos, abraços, carinhos. Com todos estes gestos que no fundo tu nem mereces.
Oh maldito dia que te conheci. Maldito dia que te deixei entrar na minha vida. Maldito sejas tu e o teu amor que apenas me ilude.
Alguém tem de engolir o orgulho. Alguém terá de fazê-lo. Dizes que não sentes falta, mas sentes e muita. Dizes que não te importas, mas queres sempre saber como ele está. Dizes que ele é parvo, mas gostas dele. Ele magoou-te, mas magoou-se também. Não vale a pena dizeres que não foi bom, tu sabes que foi perfeito. É tudo uma batalha de egos. Uma batalha de dois orgulhosos e batalha da qual ninguém sairá vitorioso. A saudade irá queimar o peito de um de nós e teremos de ceder. Como sempre, a saudade irá voltar. Como sempre.
Eu tentei dissolver todo o meu sofrimento por entre sorrisos forçados e felicidades que nem eram minhas. Eu tentei prolongar este fim, tentei adiantá-lo pondo vírgulas e mais vírgulas onde, na verdade, devia estar um incontestável ponto final.
Aquele pedaço de mim que vivia por ti ainda não se havia confrontado com a tua lenta partida e eu própria ia sempre evitando que o momento da verdade viesse a cima.
O tempo passava lentamente, os dias rastejavam como se me quisessem atormentar ainda mais e foi aí que me vi obrigada a ser mais forte do que aquilo que julgava que já era. As horas transformavam-se em segundos, mas foi exatamente assim que se passou tempo necessário para ambos entendermos que já não havia nada para adiar ou mudar.
Esta meia dúzia de linhas que aqui escrevo é apenas uma despedida e acredita que já não traz nenhum sentimento, pois até a saudade já me abandonou, já não valia a pena.
Chegou a hora de terminar com tudo isto, fechar este livro e seguir em frente. Ou melhor, queimar este livro e seguir em frente.
É querer tudo de volta. É chorar porque o passado foi perfeito e agora é apenas recordação. É implorar que o tempo recue e possas aproveitar da melhor forma aquilo que um dia sabes que irá acabar. Mas quem diria, mas quem diria que aquele dia seria a tal data fatal para mim ? Como poderia eu adivinhar que tu virias apenas virar a minha vida do avesso e depois tencionavas ir embora ? Eu estou cansada de negar tudo isto, estou tão destruída com as tuas ações, mas eu preciso de ti assim inexplicavelmente.
Alguém que me diga, o que fazer se o que mais queremos é o que mais nos faz sofrer ?
Eu decidi seguir em frente sem rumo e sem direcção mesmo com dúvidas e tantas incertezas permanentes que insistem em torturar-me desde há uns tempos para cá. Eu sei que no fundo a vida me irá responder a todas as perguntas e sei também que é uma questão de tempo, mas de quanto tempo ?? Sou um ser humano, sim sou, tenho falhas, cometo erros, porém estou cansada de ouvir as pessoas darem sempre esta desculpa quando erram e depois como fica a situação ? O orgulho começa a apoderar-se de nós e não somos capazes de admitir o nosso erro, que idiota. Eu admito que também sou assim, mas a questão é que nenhum de nós é maturo o suficiente para controlar isso. Acho que nenhum de nós tem o direito de nos julgar, muito menos criticar aquilo que fazemos. Desde o dia que chegamos a este mundo até ao nosso ultimo suspiro que aprendemos, procuramos melhorar e evoluir, magoamo-nos, choramos feitos idiotas, mas aprendemos. E por falar em chorar, chorar alivia, chorar não faz de nós seres fracos.


